SkypeMe™!
 
 

Marta de Souza, presidente do CRPMG, fala sobre internação compulsória

alt























"As pessoas da Cracolândia são tratadas como monstros ou zumbis, que não sabem que estão na Terra. Ou seres inconscientes, babando e cobertos por seus próprios dejetos. Ou até como se estivessem em surto, gritando, quebrando e machucando quem estiver a sua volta. Apenas nestes casos seria justificável a internação compulsória. Será que eles são assim?”, indaga a presidente do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais, Marta Elisabete de Souza.

Com a nova medida implementada no estado de São Paulo, especialistas preveem que usuários de crack não terão qualquer chance de decisão sobre suas vidas. Deverão ser colocados em instituições isoladas, conhecidas como comunidades terapêuticas, e ficarão encarcerados até que o tratamento chegue ao fim. O tempo para isso é variável.

Segundo o psicólogo Bruno Ramos Gomes, presidente da ONG Centro É de Lei, que realiza trabalhos com os usuários de crack e outras drogas na região conhecida como Cracolândia na cidade de São Paulo, os dependentes têm plena capacidade de discernimento, já que a vida nas ruas exige atenção constante. “Eles estão ali por uma questão de dependência. Mas têm que estar ativos, precisam de muita esperteza para entender e seguir as regras da vida na rua. Não são pessoas sem juízo. Estão ali o tempo todo decidindo sobre a própria vida”.

O psicólogo conta que grande parte dos usuários com quem trabalha já esteve em comunidades terapêuticas e até mesmo no sistema carcerário, mas continuaram a viver nas ruas e usando drogas. “Isso porque não há melhora na qualidade de vida, na saúde, na educação, nem na inserção dele na sociedade e no mercado de trabalho. As comunidades não conseguem construir essa mudança”, comenta, afirmando que o entra e sai das instituições de internação acaba se tornando uma realidade na vida de muitos usuários de crack.

Rede ideal de tratamento

De acordo com a presidente do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais, Marta Elisabete, um tratamento efetivo começa a ser feito a partir da construção de vínculos entre profissionais de saúde e usuários. O fundamental é que usuários queiram se tratar, destaca. “A atitude do usuário de álcool e outras drogas tem um nome clínico, que é compulsão, quando a vida gira em torno do vício. Trabalhar para mudar isso é demorado e difícil. O real desejo da pessoa parar é a única coisa que tira alguém das drogas e isso pode levar meses”, esclarece.

Ela aponta que a presença de equipes da Rede de Atenção Psicossocial é a melhor aposta de eficácia de tratamento. A rede é composta por equipamentos como Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-AD), onde trabalham profissionais de diversas áreas como assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras. Nesses centros, há unidades de internação temporária que podem ser leitos de uma ala específica em hospitais gerais; há também centros de convivência onde os usuários passam os dias realizando atividades terapêuticas, artísticas e de profissionalização; existem ainda Casas de Acolhimento Transitório para a estadia quando necessária no tratamento, Consultórios de Rua que têm como função a abordagem e a criação inicial de vínculo com o usuário, além de Unidades de Atenção Básica com a função de fazer o acompanhamento no local de moradia dos usuários.

Para o psiquiatra Paulo Amarante, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme) e um dos maiores nomes da Saúde Mental e Reforma Psiquiátrica no país, o Brasil conseguiu construir serviços de Saúde Mental e atenção psicossocial com bons resultados ao longo dos anos. “São serviços que se baseiam em tratamentos voluntários, que não são pautados pela abstinência. Eles apostam em um vínculo com o sujeito, num certo desejo interno mínimo que essas pessoas têm de melhorar, de se tratar, de reconstruir a vida e a família”, explica o psiquiatra. De acordo com Amarante, entre as pessoas internadas contra a vontade, 95% a 97% voltam a usar a droga.
Brasil de Fato.

Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas

O Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas

Conselho Federal de Psicologia
SAF SUL (Setor de Administração Federal Sul), Quadra 2, Bloco B, Edifício Via Office, Térreo, Sala 104.
CEP.: 70070-600
Tel.: 61 2109 0100
Fax: 61 2109 0150

Website: crepop.pol.org.br/novo/

Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais


Entre em contato com o Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais(CRP-MG)

Telefone: (31) 2138-6767
Email: crp04@crp04.org.br
Website: www.crpmg.org.br